quarta-feira, janeiro 09, 2008

Desatar amarras

Desatar amarras é
dissolver um rodamoinho de pensamentos.

Um turbilhão tão voraz que parece vazio.
Lapsos mais cheios que o branco da palavra fugida,
a mesma que encontrada em meio de outras perdidas.
Achada para satisfazer o desejo,
antes disfarçado.

sábado, dezembro 15, 2007

Poema

É no poema que
a lágirma escorre,
a pele arrepia.

Um insuperável sentimento
desaba numa incontrolável emoção.

Passar por vidas

Um sorriso
entregue

Um oi
desconhecido

O poder
Reviver

Vida...

Frágil e mística
como um incenso
que se esvazia em fumaça.

Ela queria minhas unhas bem feitas

Ela queria minhas unhas bem feitas
esmalte vermelho.

Uma filha vestindo a moda
magra, casada.

O perfeito seria ainda
o tempo com amigas grã-finas.

Eu não sigo modelo
enlouqueço só como sou.

Ela arpeja
descontentamento.

Eu arpejo
injustiça inexplicável.

Ela arpeja
desgosto.

Eu arpejo
vontade insaciável.

Ela arpeja
decepção.

Eu arpejo
razão de viver.

Arpeja, arpeja, arpeja
Arpejo, arpejo, arpejo

A cada som dos arpejos dela
minha revolta e minha entrega.

por não ser nada, nem o esperado
muito menos o previsto, imagine o desejado.

Ela tanto arpejou, arpejou e arpejou...
Nunca vi graça em arpejar.

Uma verruga no nariz.

Os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio.
No Arpoador pela última vez arpejei.

Concurso Revista Piauí - encaixe a frase "os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio"

terça-feira, dezembro 04, 2007

Talk to Funk - Ney Faustini

Um set bem construído, destacado por sua harmonia na mistura de estilos, do house tradicional com barulhos, que dão o toque trip ao som, para o melódico techno de Detroit. Faixas escolhidas a dedo e uma pitada do swing brasileiro completam o conjunto. A mixagem é suave, destacando a próxima música, o que dá personalidade ao todo. Assim, você viaja e acorda nos breaks e nas viradas.

terça-feira, novembro 27, 2007

Andy Warhol


Should the artist actually create the work, or does his idea or description of it suffice?
What is the relationship between original and reproduction, individual and crowd, art and commerce?

Janelas - fotografadas por Lee Miller




Lee Miller: »US bombs exploding on the Fortress of St. Malo», 1944. / The Art of Lee Miller.


Janela

Sensação de prisão

para visualizar

a liberdade.


quarta-feira, outubro 31, 2007

Cada batida
é
cada instante



Cada batida
é cada instante;

cada instante
é intervalo

entre

uma batida
e outra

espaço mesmo
curto

e s p a ç o.

um momento não se repete
nem refeito
nem programado

sensação, dos pés à cabeça
da ficha que cai
do sentimento esclarecido

inexplicáve lapso

inesperada verdade do momento real.

quarta-feira, outubro 10, 2007

O Simples Novo

Encontros e desencontros
Idéias que não são idéias
O novo que é o velho não envelhecido.

Picasso disse “não busco, encontro”.[1]
Aconteceu com Pestana, personagem de “Uns Braços”, Machado de Assis
“se acaso uma idéia aparecia, definida e bela era eco apenas de alguma peça alheia, que a memória repetia, e que ele supunha inventar.”
João Cabral, em “Psicologia da Composição”,
cristalizou palavras que desabrocham,
falou do severo vazio do que resta.
O Tropicalismo defendeu a arte que não é só talento[2]
é também coragem,
Ah e Hélio Oiticica descreveu o artista não mais como criador para contemplação, mas como um motivador para criação.

Afinal, o que é novo?
Existe o novo?
“news that stays news”, de Pound[3]
é o novo.

O novo que não envelhece,
O novo que é sempre atual,
Um clássico.
Um toque sutil de poetas líricos,
musas dotadas do “eterno e irreprimível frescor”.

[1] Antonio Cícero, Folha de São Paulo, Ilustrada25/08/2007.
[2] Tropicália Uma Revolução na Cultura Brasileira, Carlos Basualdo (org).
[3] Antonio Cícero, Folha de São Paulo, Ilustrada25/08/2007.

Eu fiz um poema

Eu fiz um poema
um poema me fez,
palavras concretas
que se expressam.

Alguém que fala
ao invés de se calar.

Expira o inspirar...

100 visões contraditórias

Se é
É se
Cem mil – sem zero
Pouco é muito
Muito é pouco
Vazio cheio e sólido light
Querer e não ter é perder o poder
Para quem tudo tem o nada vem
Aquele que sempre é nunca é.

A ilusão do passado, do futuro e o presente eterno
Um fino instante, algumas largas horas
A intensão, a pasmação
O ritmo em movimento, em descompasso
Sem discernimento
Num viajar, a realidade.
Um susto de pernas trêmulas e pés no chão.

Mudar uma certeza
Pensar e se encaixar
No desencaixe que dá certo;
É isto, meu querido, que tem medo do destemido
Um dia encontraremos
O extremo equilíbrio?

Agora eu vou para depois ficar.

quarta-feira, setembro 19, 2007

terça-feira, setembro 11, 2007

Não foi apenas o mundo que mudou, mas a forma de ele mudar muda.


“Aim at uncover the source of the mind by humbly seeking what it is and inquiring”.
(citado por Pantajali, em sua obra “Yoga Sutras of Pantajali”)

Já expostas pelo sábio Pantajali, há 2.000 anos, essas palavras falam sobre nossos esforços em revelar origens da mente, nossas investigações sobre o que ela é e o que realmente procura.

Essa questão complexa é e provavelmente continuará sendo muito atual. Enquanto isso, nós continuamos tentando expressar de diversas formas tais buscas, dúvidas, ou apenas refletindo o que acontece no mundo e em nós mesmos.Vivemos numa época em que as inquietações pessoais estão à flor da pele; nada estranho, pensando-se em pessoas que vivem num mundo de múltiplas escolhas, ou melhor, num bombardeamento de informações e possibilidades. Tudo mudou e muda com tanta velocidade que perdemos a noção do que acontecerá em um futuro bem próximo. Temos menos certezas ainda. Qual será a diversão na adolescência de nossos filhos, drogas por download, shows virtuais? Quem sabe tudo isso fique ultrapassado; e eles estarão cansados de não entrar em contato físico com a realidade. Irão voltar a curtir festas estilo anos 50, mas sem diexar de lado seus super “I-Mac-pod-cel-estereo-dj”, será...?

Enfim, sabemos que existem diversas maneiras artísticas de lidar com os conflitos mundiais ou com aqueles que pertencem à intimidade individual: grafites, fotos, vídeos, ou mesmo blogs, que são formas autênticas da época atual. E, em muitos casos, refletem a arte de vanguarda para uma geração.Aí estão blogs de mulheres que vivem hoje, nos quais questões são levantadas, inquietações expostas. Não sei se é coincidência, mas acho que não é tpm. Talvez, se estas autoras tivessem nascido no final da década de 60 fossem hippies. É bem capaz que, sendo brasileiras, participassem de algum movimento precursor da arte multicultural e interativa, como o Tropicalismo. Se tivessem nascido naqueles tempos, estariam pelas ruas, cantando “sem lenço, nem documento” ao invés de estarem navegando por aí na internet.
Nascidas na geração “digital”, possuem vidas virtuais que podem se tornar presenciais e expostas ao mundo sem pudor.
Por fim, manifestações acontecem. Espero que durem até nossos filhos para que eles vejam o que passamos...
www.badtrip.com.br – Bruna Beber
www.adioslounge.blogspot.com – Clarah Averbuck
www.parecefilmecamila.blogspot.com/ - Camila Fremder
www.twoway-monologue.blogspot.com/ - Thais Leon e Fernanda Vendramini
www.metropolisthoughts.blogspot.com – Fernanda Carvalho

terça-feira, agosto 28, 2007

O velho diálogo de Adão e Eva

Marcel Yunes http://www.flickr.com/photos/8243957@N07/



Capítulo: O velho diálogo de Adão e Eva - Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Brás Cubas .........................?

Virgília................................

Brás Cubas..........................

..........................................

Virgília..............................!

Brás Cubas.........................

Virgília..............................

....................?...................

.........................................

Brás Cubas.....................

......................!...............

...............................!......

.............................................!

Virgília..........................?

Brás Cubas.......................!

Virgília............................!



O narrador assim diz sem dizer, criando sugestão de erotismo.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Um momento breve e um breve momento.

Foi apenas um momento. Um breve momento.
Mesmo que breve, é momento;
mesmo que momento é breve.

São tão breves os momentos;
momentos, tão breves
que são uma picada de agulha,
o finíssimo instante de João Cabral;
o ponto apontado do presente.

O esperado momento,
sempre breve e rápido,
vivido, passado.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Vending Machine

The Vending Machine encourages those buying sweets to think about the impact of their choices as they buy apparently insignificant consumables. You choose how much you pay, and rather than affecting what you get, it affects what the next person gets. If you pay more, you act for the greater good, if you pay less, someone else gets less. The Vending Machine is going to spend a year touring the UK, visiting pubs, community centres, leisure centres and galleries, pretending to be a normal vending machine. Its first location is the ICA bar and Team, the design collective responsible for the Vending Machine, will celebrate the start of the tour with a night of music and sweets on 3 August. Team are currently hoping to get the vending machine adopted by a major sweets company.

quinta-feira, julho 26, 2007

A Combinação dos Opostos

Os opostos são atraentes, a combinação entre eles é bela; é o tempero do prato; é saborosa como queijo e goiabada, Romeu e Julieta.
A atração entre coisas que não se combinam é nítida, como a razão e o conflito presentes num mesmo homem; ou é simples como dizer que “os opostos se atraem”.
Um homem que não se contenta em simplesmente ser, este é o mesmo que é atraído pelo mistério intrínseco ao desejo de atrair o diferente: homem e mulher; emoção e tédio; inspiração e expiração...

quinta-feira, junho 14, 2007

Tempo

Estamos onde estamos,
Sem pressa para um próximo momento,
Pressa nem mesmo para nossa próxima inspiração...
Agora, Agora, Agora,
Paramos neste instante,
Vivemos entregues, vivemos completamente,
Tempo sem expectativas.

Somos um exemplo concreto da essência do tempo,
Somos o tempo, se ele tivesse vida, isto é, se não tem, tem?
Somos a essência de algo que desejamos, sempre...
Algo que queremos mais e mais,
Nunca estamos satisfeitos com o quanto tempo temos,
Tempo...mais...sempre...tempo...