terça-feira, junho 03, 2008

80's a nostalgia do sonho falido

80's a nostalgia do sonho falido:
"Ideologia", Cazuza - http://www.youtube.com/watch?v=9xMGHqLqzNk ;
"Everybody wants to rule the world", Tears for Fears - http://www.youtube.com/watch?v=ughqjbzx2Fk&feature=related .
E, mesmo assim, ou talvez por isso, a atração aos hits da época é irresistível, àquele glamour brega ou ao romântico ingênuo. Afinal, uma noite com tudo isso é de se preencher. Dê uma checada: A-ha com seu olhar de galã, em
"Take on me" - http://www.youtube.com/watch?v=RMWXyEHoN88 e, claro, não dá para esquecer New Order e seu clássico teclado, marcando a época com "Blue Monday" - http://www.youtube.com/watch?v=BV7LKjTV5oI .

Já Madonna caiu muito bem na realidade com sua nada modesta, porém queridíssima "material girl", música de merecido sucesso - http://www.youtube.com/watch?v=3tYLo9FkqNc .
É bem provável que tenha sido a melhor sacada de Madonna até hoje, embora muitos prefiram sua nova fase "hard candy" e a recente parceria, super cobiçada, no mundo da música pop, com o astro Justin Timberlake.

sexta-feira, maio 30, 2008

Proposta:
Escrever sobre Harumi, uma personagem inventada por um grupo de escritoras.
Harumi trabalha em um laboratório de química, casada com Diego, um espanhol. Possui 2 filhos, sua família tem casa em Ibiúna, enfim é mais uma mulher comum que vive em São Paulo.

HARUMI
Diego, marido de Harumi, chega em casa com um sorriso e tanto, como há tempos não se via. Abre uma garrafa de vinho, o seu melhor vinho. Harumi, com cara de desentendida, retruca antes mesmo de querer saber o motivo do desperdício, numa segunda-feira à noite. Para que Diego faz este alvoroço num dia tão normal? E, ainda, resolve chamar os filhos, Juan e Ayumi, que finalmente haviam conseguido sair de frente da tv para estudar um pouco.
Diego diz que quer comemorar. Harumi, ironicamente, pensa: comemorar o quê? Só se forem minhas unhas novas, esmalte licor. Acha melhor não falar. Afinal, não pega bem tirar sarro do marido em frente às crianças. Seu marido ganhou o segundo maior bônus de sua empresa; é a primeira vez que um funcionário do RH ganha um bônus como esse. O vinho é aberto, bastante frutado e desfrutado, principalmente, por Juan e Ayumi que não costumam beber com os pais.
Realmente, uma boa notícia, mas é tarde e amanhã a semana continua. Harumi fica à espera de Diego no quarto. Não, não é para agarrá-lo e comemorar a notícia, ninguém mais é adolescente há tempos. É para discutir o destino que este dinheiro tomará. É importantíssimo que ele tenha um bom uso; deixá-lo na mão de Diego certamente terá fim em porcarias.
A discussão começa: uma viagem, carro novo, uma casa de campo, fundos de investimento... Difícil escolher. Viagem só serve para gastar dinheiro; é bom na hora, mas não sobra nada. Carro novo? Os que estão aí estão tão bons. Fundos de investimento: não se verá a cor do dinheiro, até que ele renda e fique para os netos. É... sobra a casa de campo, uma feliz idéia já que Harumi tem família com casa em Ibiúna, interior de São Paulo, onde sobra um terreno.
Diego não é uma pessoa de temperamento forte. Concorda a casa e achar muito gostoso que tenham um refúgio para os finais de semana.
Decisão tomada, a construção começa. A casa terá churrasqueira, forno de pizza, todos os detalhes que Diego deseja. Essas besteiras não são grandes preocupações para Harumi; ela acaba se animando um pouco para pensar na decoração dos quartos, da cozinha, sala e de uma modesta adega para guardar seus vinhos. Também, quem faria isso se não fosse ela?
Nossa, até parece começo de casamento. Juan e Ayumi adoram, pois os pais estão muito ocupados para pegar no pé deles. Mas o clima de recém-casados dura apenas até a obra começar a dar problemas. Pedreiros atrasam, encanamento complica-se e os preços de materiais de construção: um absurdo!
Os filhos não agüentam mais ouvir a mãe colocar a culpa no pai e o pai dizer que aquilo era tarefa da mãe. Construir casa é um pé no saco! Tantas tarefas para se preocupar na vida: trabalho, filhos e mais uma casa em construção para completar...
Já é junho. Como o ano voa! O jeito agora é pegar o feriado de Corpus Cristi e se concentrarem na finalização da construção. Diego e Harumi vão para Ibiúna; instalam-se na casa dos irmãos dela. Os filhos aproveitam e vão para praia com os amigos. Melhor assim, tempo integral para o casal resolver detalhes. Foi bom para salvar o último pingo da empolgação que restava. A casa ficará pronta no início de outubro, sem falta.
Outubro, a casa em Ibiúna pronta. Toda família intimada a passar a semana de saco-cheio na nova casa de campo. Tempo lindo, todos com protetor solar, afinal, não dá para descuidar da pele. Juan e Ayumi aproveitam a piscina, mesa de pingue-pongue, amigos da casa vizinha. Diego, quem diria, fissurado por receitas de pizza...E Harumi pensa duas vezes antes de encher o terceiro copo de vinho.
Ninguém, nem mesmo ela, percebe que anda fazendo pequenas coisas para se enganar do tédio automático incorporado em sua nova rotina.


terça-feira, maio 13, 2008

quarta-feira, abril 23, 2008

Poem + Music

The beat breaks down so we pick it up
The floor shakes down but it's not enough
The beam is up and the kids are high
I've seen them move and it blows my eyes
The floor's an ocean and this wave is breaking
Your head is gone and your body's shaking
There is nothing you can do because there is no solution
You gotta get down to the noise and confusion
The sound goes round and we start to climb
The lips curl up and it kills my line
The beat is steal and the scene is sown
I see her eyes and her eyes are blown
The floor's an ocean and this wave is breaking
Your head is gone and your body's shaking
There is nothing you can do because there is no solution
You gotta get down to the noise and confusion
Out of our minds on the stage
"There is nothing you can do because there is no solution
You gotta get down to the noise and confusion"

'Sons Of The Stage' written by Tony Ogden and Gordon King

quinta-feira, abril 10, 2008

Kika em "beijar"

Kika foi a uma super festa: todos seus amigos, casa incrível, som bom, enfim, daquelas que só acaba quando dá alguma besteira.
Kika tava bonita. Vestiu um de seus melhores sapatos, salto fino, maquiagem bem feita e uma camisa até que bastante sensual.
Estava num bom dia, simpática, dando risada e dançando todas as músicas.
As horas foram passando e o grau alcoólico das pessoas aumentando. Todo mundo mais soltinho e engraçadinho, ou melhor, com menos censuras.
Kika dança com um ex-gatinho. Nada de mais, um casinho. Maurício tem um bom papo, bonito...gira Kika pra cá, gira pra lá. Neste instante, chega Tito, o irmão de uma amiga, que troca sorrisos e conversas com ela. Maurício resolve dar uma volta. Tito continua lá e logo chega o resto da turma. Todos continuam dançando, se divertindo. Quando Kika percebe, ela está no bar pegando mais um drink: sua amiga lhe pediu para acompanhá-la e ela foi.
O céu começa a dar sinais sutis de claridade só para aqueles que resolvem olhar com calma. Está amanhecendo. Uma briga estoura 8h e a festa acaba. Eh, já era hora.
Kika vai pensativa para casa. Não deu certo nem com Maurício nem com Tito. O pior é que os dois são gatos e uns fofos. Será que é porque tá todo mundo bêbado? Os objetivos acabam se perdendo, ou, no mínimo, esquecidos por momentos. Será que são todos muito exigentes para coisa séria e muito pouco exigentes para o agora? Ou é perder tempo investir em alguém que talvez não dê certo? Afinal, todos querem se dar bem. Ah, e tem mais um problema para alguns: “levar um não”.
Beijar? Simplesmente beijar?
Apenas, pelo ato de beijar?
O beijo para ter a satisfação de que se conseguiu algo?
O beijo para não se sentir tão sozinho?
O beijo como comer um bom doce?
O beijo como a porta de entrada para o sexo?

E o beijo dos românticos ainda existe....?


São Paulo.
Sexta, 28 de Março.

quinta-feira, abril 03, 2008

impenetrável

impenetrável inabalável insaciável
intimamente intolerante e inquieta
instinto insano
inconsciente e indecifrável
intuitiva
irritada
irônica e irrevelável
irresistível e incendiosa
incompreensivelmente incensurável
a inaceitável certeza de ser

quinta-feira, março 27, 2008

Kika chega da praia

Domingo, Kika chegou em São Paulo de um fim de semana incrível na praia. Sábado, foi aniversário da Ju Monteiro, sua irmã. Elas têm uma casa na praia que é uma delícia, frente pro mar, boas festas, feriados regados a caipirinhas, aperitivos e amigos bacanas de óculos ray-ban. Esse foi um deles.

Muita animação, amigos da irmã, amigos de Kika; havia até som, claro, seu amigo dj deu uma “palhinha”. Tava uma delícia. Essa é a vida para Kika! Como acontece com tudo que é bom, acabou; chegou o domingão... É essa a hora em que Kika fica um pouco desesperada, ou melhor, carente. É uma confusão de sentimentos.

Kika está em casa - São Paulo. Sua irmã gosta muito de ler e ver filmes, consegue muito bem se entreter sozinha; aliás, quer ficar um pouco sozinha depois do aniversário agitado que teve. Kika liga para um amigo que responde com voz estranhíssima, ocupado, fazendo o quê? Nunca o viu com essa voz... enfim, liga para outro, esse tá viajando e ainda não voltou; liga para sua prima, que é amiga também, ihh! Essa não quer levantar do sofá por nada: trabalha no mercado financeiro, amanhã será um dia tenso – Kika não tem muitas amigas mulheres, talvez porque queira sempre ser a mais requisitada por todos os homens. Mesmo que o cara não faça seu tipo, ela faz seu tipo para ele. Bom, pra quem mais, Kika liga? Claro, para seu amigo, o Renatinho, aquele que nunca a deixava sozinha nos programas sociais: é prestativo, atencioso, não é como outros que dizem “já te ligo” e não liga mais. Renatinho atende, conversa com Kika; ele tá namorando. Kika não fala, mas acha um saco, pois percebe que seus amigos “somem” cada um com sua vida: trabalhos, namoradas, construções para o futuro. Ela não sabe como agir neste momento, não está à vontade como estava há apenas um dia (sábado, na praia).

Talvez uma saída para esse desconforto momentâneo seja reclamar para seus amigos: aquele que não ligou para parabenizar sua irmã, mesmo que ele não seja tão próximo dela; insistir para o outro ir à próxima balada, na quarta-feira. Jogar cobranças para os amigos pra aliviar sua angústia de ficar sozinha.

Domingo 16 de Março.

quarta-feira, março 05, 2008

She´s maniac on the floor, she's dancing like she's never before...

Essas eram as expectativas de Kika antes de ir para festa de seus amigos queridos e divertidos, Dé e Bernardo. Um deles trabalha numa produtora e o outro, numa agência de publicidade, em mídia; eles são estilosos, cheios de amigos bacanas e não há uma vez em que Kika não se divirta quando sai com eles.
Antes da festa, Kika foi a um bar encontrar sua turma. Turma? É, ela precisa de uma turma. “Esquenta” com a turma é a segurança de que ela esteja ocupada e se divertindo para chegar “na vibe” que espera nas festas. Kika, às vezes, precisa comprovar que não está perdendo tempo; não quer perder nada, nenhuma chance de diversão.
Acha que não fazer nada é sempre um tédio. Que bom que sua turma é descolada o bastante para sempre ter algo pra fazer...Ir embora cedo da balada? Que sem graça...Beber um pouquinho e parar? Pra quê? Isso não é aproveitar o quanto pode.
Bom, voltando ao bar, papo muito engraçado, amigos juntos, novas combinações para as férias na Europa, Ibiza? Kika adoraria ir para Ibiza com sua turma.
Chegou a hora da festa, muita gente, muitos amigos, mas a turma vai se perdendo...Um deles sumiu, Guizão. Ele que iria levar Kika para casa acabou achando uma menina e foi embora. Fred ainda estava lá, mas iiihhh tá pela pista “tirando um dance”. Esse não bate muito bem; e os outros, ah! Tão lá com as namoradas e uma outra turma papeando.
Kika quer ficar com Thi. Ele é um gato, todo mundo acha. E ele deu bola pra ela...
Fim de festa, Kika ficou e ficou pra ver se algo acontecia. Nada. Percebeu que o charme que Thi jogou pra ela também foi jogado pra outra. Ele acabou de conversinhas no ouvido com essa outra, que Kika nem sabe quem é!

She´s maniac at love,
She´s dancing like never before…

É, Kika vai acabar sua vodka e ir embora. Amanhã tem mais: um bar que abriu no Itaim e é aniversário de outra amiga bacana. Ainda no fim de semana, quem sabe, vá com um pessoal para praia fazer um esquenta para o Sirena. Ela não quer muito ir, mas no final acaba bebendo e indo, fazer o que, né!

Antes, Kika tinha medo de gastar curtição; hoje, ela desperdiça.
Talvez, no fundo, ela procure um homem que acrescente algo, aí, pelo menos, ao invés de desperdiçar curtição, poderá desperdiçar paixão. Ou, quem sabe, aprenda a gastar de pouco em pouco, para poder degustar...

Quarta-feira, 05 de março.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Crônicas de Kika Monteiro

Kika Monteiro acabou a faculdade há um ano; agora – solteira, rica, formada – aproveita seu tempo indo às melhores baladas, fazendo viagens maravilhosas, sempre com companhias incríveis. Afinal, Kika é o típico exemplo de uma pessoa “in”.

Não é uma menina de se jogar fora: suas luzes no cabelo dão o charme, que numa terça-feira pela manhã, hora de desocupação e tédio, é apagado. Isso porque resolveu matar a ginástica, hora em que a maioria dos paulistanos estão ocupadíssimos no trabalho, até mesmo aqueles que têm dinheiro para ser bons vivãs, mas não o são, pelo simples fato de se ocuparem ou se sentirem úteis, mesmo sem nenhum amor à profissão.

Ontem, jantou no Japonês – novidade recém aberta na rua Amauri – com seu ótimo amigo, Renatinho. Ela sempre o adorou: ele nunca faltava aos programas sociais; era uma companhia e carona com quem podia sempre contar. Agora, ele anda dando mancadas, tá muito chato, anda namorando e trabalhando, não faz mais nada de legal. Bom, deixa o Renatinho pra lá. Pelo menos, um possível caso chegará na sexta: irmão de uma amiga que mora em NY e virá passar férias em SP.

Quarta, dia 30 de janeiro de 2008.

_____

Sexta – Pacha
DJ eleito pela Mix Mag 5°no ranking mundial – melhor house-music da atualidade!

Kika cumprimenta todo mundo, muita saudade, fofoca em dia, o pessoal tá bonito, camisas, “styles”, pólos que agora são Abercrombie (o alce domina o cavalo), saias curtas charmosas, maquiagem bem feita e a vodka começa a descer suave pelo menos hoje. Amanhã é outro dia.
A boate se divide como SP: os mais influentes perto do DJ, em cima; o povo embaixo, e aqueles que tentam ser influentes em volta dos mais influentes.
A balada vai se esvaziando bem agora que a animação bateu na Kika. ‘After-hours”, na casa daquele amigo bonitinho, o Jonny, que sabe que é bonitinho e vive dando indiretas, bem diretas, para a mulherada, inclusive para a Kika. Ela não sabe se deve acreditar nas cantadas. Acaba, então, tirando sarro dele.
O ar de curtição irresistível preenche espaços da tradicional sala da casa de Jonny – loucuras, móveis antigos, interesses, quadros de grandes artistas, risadas - e o desperdício de tempo intendível, porém convidativo, para que se fique exatamente no lugar em que se está agora.
Bom, amanhã é amanhã: a conta do cartão será recoberta, quem tava lá fingirá que esqueceu. O mais nerd será o único que lembrará aquilo que Kika não quer que ele lembre e que nem mesmo ela quer lembrar....
Preocupar-se com a bosta? No meio da bosta com terra, pode nascer um trevo da sorte. Afinal, tudo vem tão fácil para ela. Mas será que não vale mais a pena plantar cactos? Pouquíssima água de tempos em tempos, e ele sobrevive com seus espinhos de espetos saudáveis.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

O Indispensável é Dispensável

Quantas coisas indispensáveis você faz todos os dias?

Mania do indispensável? O consumismo, os ditos da moda, a publicidade, enfim o mundo em que vivemos, nos faz sofrer da mania do indispensável.
Achamos tudo tão indispensável que acabamos surpresos quando acontece o fato de largarmos aquilo que era o mais indispensável.
E, aí, você perceberá que pode ser feliz, ou mais feliz, descartando o indispensável.

O indispensável é dispensável!

Referências:


- A fantástica poesia "Eu, etiqueta", de Drummond, segue abaixo.

- Gustavo Mini tem um texto, sobre “deixar cair” que é um link interessante.
http://www.conector.blogspot.com/


Eu, etiqueta
http://forum.pootz.org/viewtopic.php?t=7821

Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca do cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro
minha gravata e cinto e escova e pente
meu copo, minha xícara
minha toalha de banho e sabonete
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça aos bicos dos meus sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincindência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade
e fazem de mim homem-anúncio itinerante
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda,
ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marca registradas,
todos os logotipos de mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que era antes e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana ,invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar, ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente).
E nisto me comprazo, tiro gíria
da minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu que minuciosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem á vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno alguma compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de não ser eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu novo nome é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.



quarta-feira, janeiro 09, 2008

Desatar amarras

Desatar amarras é
dissolver um rodamoinho de pensamentos.

Um turbilhão tão voraz que parece vazio.
Lapsos mais cheios que o branco da palavra fugida,
a mesma que encontrada em meio de outras perdidas.
Achada para satisfazer o desejo,
antes disfarçado.

sábado, dezembro 15, 2007

Poema

É no poema que
a lágirma escorre,
a pele arrepia.

Um insuperável sentimento
desaba numa incontrolável emoção.

Passar por vidas

Um sorriso
entregue

Um oi
desconhecido

O poder
Reviver

Vida...

Frágil e mística
como um incenso
que se esvazia em fumaça.

Ela queria minhas unhas bem feitas

Ela queria minhas unhas bem feitas
esmalte vermelho.

Uma filha vestindo a moda
magra, casada.

O perfeito seria ainda
o tempo com amigas grã-finas.

Eu não sigo modelo
enlouqueço só como sou.

Ela arpeja
descontentamento.

Eu arpejo
injustiça inexplicável.

Ela arpeja
desgosto.

Eu arpejo
vontade insaciável.

Ela arpeja
decepção.

Eu arpejo
razão de viver.

Arpeja, arpeja, arpeja
Arpejo, arpejo, arpejo

A cada som dos arpejos dela
minha revolta e minha entrega.

por não ser nada, nem o esperado
muito menos o previsto, imagine o desejado.

Ela tanto arpejou, arpejou e arpejou...
Nunca vi graça em arpejar.

Uma verruga no nariz.

Os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio.
No Arpoador pela última vez arpejei.

Concurso Revista Piauí - encaixe a frase "os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio"

terça-feira, dezembro 04, 2007

Talk to Funk - Ney Faustini

Um set bem construído, destacado por sua harmonia na mistura de estilos, do house tradicional com barulhos, que dão o toque trip ao som, para o melódico techno de Detroit. Faixas escolhidas a dedo e uma pitada do swing brasileiro completam o conjunto. A mixagem é suave, destacando a próxima música, o que dá personalidade ao todo. Assim, você viaja e acorda nos breaks e nas viradas.

terça-feira, novembro 27, 2007

Andy Warhol


Should the artist actually create the work, or does his idea or description of it suffice?
What is the relationship between original and reproduction, individual and crowd, art and commerce?

Janelas - fotografadas por Lee Miller




Lee Miller: »US bombs exploding on the Fortress of St. Malo», 1944. / The Art of Lee Miller.


Janela

Sensação de prisão

para visualizar

a liberdade.


quarta-feira, outubro 31, 2007

Cada batida
é
cada instante



Cada batida
é cada instante;

cada instante
é intervalo

entre

uma batida
e outra

espaço mesmo
curto

e s p a ç o.

um momento não se repete
nem refeito
nem programado

sensação, dos pés à cabeça
da ficha que cai
do sentimento esclarecido

inexplicáve lapso

inesperada verdade do momento real.